quinta-feira, 15 de julho de 2010

O Jeito Tucano de Governar: USP Forma Profissionais Sem Mercado


Criado para facilitar o acesso de estudantes da zona Leste de São Paulo ao ensino superior, o novo campus da USP forma profissionais que não conseguem ingressar no mercado de trabalho.
Em 2005, a Universidade realizou seu primeiro vestibular, com a promessa de “resolver problemas locais”. O que se viu, na realidade, é que a criação da nova unidade só serviu de bandeira política durante o pleito de 2006. Na época, o então Governador Geral Alckmin implantou o prédio às pressas sem se preocupar com o mercado de trabalho que esses profissionais irão atuar.
Em vez dos cursos tradicionais, foram oferecidos cursos mais técnicos, concebidos de forma interdisciplinar, como sistemas de informação, gestão ambiental, políticas públicas, gerontologia e ciências da natureza. Na ocasião, alegou-se que o regulamento da USP não permitia a oferta de um mesmo curso em mais de uma unidade na mesma cidade. Por isso, a USP Leste não poderia criar cursos de medicina, engenharia ou economia, por exemplo. A solução foi criar cursos baseando-se em especialidades.
Não deu certo – Infelizmente a tentativa do governo estadual de democratizar o acesso ao ensino superior numa das áreas mais pobres da região metropolitana não deu certo. Além de serem vistos de forma preconceituosa pelos colegas das unidades mais tradicionais da USP, como se fossem estudantes de “segunda classe”, os formandos das primeiras turmas da USP Leste têm tido dificuldades para encontrar emprego na área de especialização por eles escolhida.
Profissão não regulamentada – Passados cinco anos, os recém-formados não encontram mercado de trabalho, simplesmente porque a profissão não é regulamentada. Esse é o caso dos alunos formados em obstretícia. Essa nova profissão foi criada a partir de especialidades cursadas em nível de pós-graduação por enfermeiros, médicos e profissionais de saúde – categorias estabelecidas, fiscalizadas e reconhecidas por conselhos profissionais e pelas sociedades científicas.
Aluna da primeira turma de obstetrícia, Paula Leal, nos relatou o drama: “Não conheço ninguém que se formou nas duas turmas que esteja trabalhando. Tenho colegas que até passaram em concurso público, mas que não conseguiram tomar posse”.
Brigando na justiça, os cerca de 80 alunos formados conseguiram uma liminar e hoje possuem um registro provisório em enfermagem. Os alunos ganharam na justiça alegando que uma Lei, em vigor até 1975, incluía as obstetrizes na categoria das enfermeiras. A profissão, porém, foi extinta e se tornou uma especialidade feita em nível de pós-graduação pela própria USP.
No ano passado, a USP recebeu R$ 2,8 bilhões do Tesouro do Estado. Desse montante, R$ 33,5 milhões (1,15%) são destinados para a USP Leste, que gasta R$ 32,4 (97%) de sua renda anual com a manutenção do quadro funcionários.
Em sites de notícias, a coordenadoria dos cursos de Obstetrícia e Gerontologia disse que a universidade pública não pode ser refém dos conselhos profissionais. “Senão, não cria mais nada de novo”, opina Lúcia Cristina Florentino Pereira, coordenadora da Obstetrícia.
Segundo Cristina, o curso é legítimo porque conta com o aval do Conselho Estadual de Educação, órgão que normatiza o ensino superior da rede pública, mas admite a necessidade de regulamentação por um conselho: “Houve tentativa de negociação com o conselho de enfermagem e tentamos um consenso sem perder a autonomia”, afirma Cristina, para quem o órgão se mantiveram impassíveis diante dos esforços da universidade. Para ela, uma das formas de amenizar a resistência à nova profissão seria a criação de vagas específicas de obstetrizes em concursos públicos da União e do Estado.
Solução – Para tentar resolver o problema, a USP resolveu incluir mais matérias no curso, acatando a sugestão do Conselho Regional de Enfermagem. Com isso, o curso ganha mais um ano. Os alunos que se formaram, como Paula, serão convidados a voltar ao banco da faculdade.
“Eu me formei em 2008. Agora não posso mais voltar a estudar porque preciso trabalhar. Queria muito conseguir um emprego na minha área, mas também tenho que pagar minhas contas”, conta Paula, inconformada.
Entre as principais mudanças, o curso terá aulas práticas e ampliação do número de disciplinas de enfermagem. Será, agora, de nove semestres, e terá uma carga horária maior. As alterações foram aprovadas pelo Conselho Universitário – instância máxima da instituição – no mês passado e já valem para o vestibular de 2011. Os atuais alunos, que se formariam neste ano, terão de cursar mais disciplinas e só completarão a graduação no ano que vem.
*****Do Blog Galera da Dilma

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