sexta-feira, 20 de abril de 2012

O Poder das Redes Sociais

Por Cecilia Mantovan, Portal Linha Direta

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Há alguns anos era impossível imaginar que cidadãos comuns teriam seu espaço na internet para publicar conteúdos próprios e opiniões como alternativa à tradicional mídia. Na ‘era das redes sociais’ isso se tornou possível.  

Cada vez mais presentes em nosso dia-a-dia, as redes sociais permitem uma nova maneira de participação social, com ferramentas e aplicativos que facilitam, ampliam e tornam mais rápidos os relacionamentos. Em 2012, elas serão essenciais na conversação e articulação das campanhas eleitorais, além de fazer frente ao PiG (Partido de Imprensa Golpista), os, até então, detentores da informação e comunicação de massa.  

Sergio Amadeu, sociólogo, pesquisador de cibercultura e membro do Comitê Gestor da Internet e da Comunidade do Software Livre – explica que as redes são formas antigas de estruturação social. “Com o advento da internet, surgiram as redes de relacionamento online e o termo ‘rede social’ passou a caracterizar uma plataforma de relações entre pessoas no ambiente virtual, sejam de interações profissionais como o Linkedin, de interesse geral, como o Facebook, ou que promovam uma atividade específica, como o Youtube”.  

 A Internet surgiu na década de 70, mas foi em 1990 que ela chegou para o público em geral e hoje é considerada por muitos como a maior criação tecnológica depois da televisão. Com tanto conteúdo disponível, surgiu a necessidade dos usuários interagirem e compartilharem informações com amigos e grupos.

Nesse período começaram a surgir as primeiras mídias sociais, como a SixDegrees.com - inspirada na teoria em que quaisquer duas pessoas no globo terrestre estariam separadas por, no máximo, 6 graus. O primeiro seria a das pessoas que você conhece, o segundo o dos conhecidos desses seus conhecidos, e assim por diante. Nesse sentido, se você ecoa uma mensagem a todos os seus conhecidos e estes seguem fazendo o mesmo, em apenas seis passos seria possível atingir todo o globo.

As redes evoluíram, tornaram-se mais simplificadas para utilização e popularizam-se, conforme avalia Amadeu. “No Brasil, a pesquisa do Comitê Gestor da Internet, de 2010, mostra que 69% dos brasileiros com acesso à internet utilizam redes sociais. Para compreender a dimensão do fenômeno, basta observar que o site mais acessado no mundo é o buscador Google, seguido pela rede social Facebook. Em terceiro lugar vem o Youtube. O twitter já é o décimo site mais importante do planeta”.

É possível que as redes evoluam ainda mais? Amadeu defende que sim. “As mídias de massa serão cada vez mais condicionadas pelas redes. Haverá disputas pela atenção das pessoas. Um dos maiores poderes da atualidade é o de criar e reconfigurar redes de relacionamento e opinião. Inúmeras micro redes continuarão a surgir e a tentar agregar pessoas. A maioria fracassará. Existe uma economia de rede que tende a criar concentração das adesões nas redes maiores e que oferecem mais benefícios e possibilidades de relacionamento”.

Redes sociais x PiG

As redes sociais viabilizaram o que o sociólogo Manuel Castells chama de ‘autocomunicação de massas’, permitindo a articulação de desejos coletivos e da disseminação de informações.

Já para o jornalista Paulo Henrique Amorim, dono de um dos blogs políticos mais lidos do Brasil – o Conversa Afiada -, a grande mídia considera a blogosfera uma ‘ameaça’. “Tanto que boicota e persegue. Mas, é uma batalha perdida: o PiG está em extinção. Pouco a pouco, os conservadores brasileiros vão trocar de partido(s). Porque o PSDB e o PiG não servem mais para representá-los. E nessa batalha para se atualizar, o próprio PiG passará a ser um ator importante na blogosfera, na tentativa de perder audiência para si mesmo. Uma coisa é você competir com a Rede Globo. Outra, com o portal Globo. O blog sujo pode até perder. Mas, arranca um pedaço”.

Renato Rovai, editor da Revista Fórum e dono do Blog do Rovai, conta que começou a atuar nas redes enviando textos por e-mail para grandes grupos, que eram conhecidos como ‘correntes’. “Comecei com o atentado às Torres Gêmeas (EUA), no dia 11 de setembro de 2001. Fiz um texto e mandei por e-mail para uma lista. O texto teve muita repercussão e foi traduzido em outras línguas. Há 11 anos pouca gente tinha internet, mas senti a sua dimensão. Do ponto de vista político, o primeiro grande momento foi na crise do mensalão, em 2005. Eu ainda não tinha blog, mas escrevia textos e publicava na Revista Fórum. Eles eram replicados em outros sites e foram também lidos em plenárias do Congresso Nacional. Foi neste momento que criei meu Blogspot. Em 2006, na campanha do Lula, o blog já existia e foi ganhando protagonismo, mas foi na eleição presidencial de 2010 que houve um grande crescimento”.

Rovai acredita que a blogosfera cria um espaço pra oxigenar o processo de veiculação de informação. “As pessoas debatem na rede e constroem um novo enfoque para aquele assunto. Os blogs produzem novas informações, temas que a imprensa tradicional não cobre com a amplitude que deveria cobrir”.

O Blog Cidadania, de Eduardo Guimarães, tem hoje uma média de um milhão de acessos/mês e já chegou a receber cerca de três mil comentários em matérias polêmicas. O comerciante entrou para a blogosfera por sentir que não havia espaço para os cidadãos comuns expressarem suas opiniões na grande mídia. “Eu me achava um estranho no ninho, na classe média. Com a internet descobri que não era. O efeito da rede foi aglutinar cidadãos como eu, que têm opinião e querem expressá-la. A partir dos anos 80, comecei a escrever cartas de leitor para vários jornais e elas eram publicadas. Também enviava correntes de e-mails. Em 2005, época do Mensalão, cortaram o meu espaço. Considerei como censura e criei meu blog”.

Há sete anos com o blog, Guimarães explica as dificuldades e realizações como blogueiro. “Não ganho nada. Pelo contrário, eu gasto. Mas faço com gosto. Ao invés de ficar vendo televisão, eu vou até os lugares, acompanho, escrevo. As matérias dos blogueiros são muito reproduzidas. Já tive uma que foi compartilhada 100 mil vezes”.

Núcleo de Militância em Ambientes Virtuais do PT

Conquistando tamanha repercussão e mobilização, o Diretório Estadual do PT-SP teve uma ação inovadora: criou o Núcleo de Militância em Ambientes Virtuais (MAV), com o objetivo de organizar e treinar seus militantes para o debate.

Adolfo Pinheiro Fernandez ficou encarregado da tarefa pioneira dentro do partido, que já conta com outros MAVs espalhados pelo Brasil. “Percebemos a necessidade de unir e organizar a militância nas redes na campanha de 2010. Através do Núcleo, discutimos temas e ações a serem compartilhados e a melhor estratégia para cada uma delas”, afirma. Neste semestre, o Diretório realiza oficinas nas 20 Macrorregiões de São Paulo para organizar sua militância virtual. “Vamos discutir comunicação nas redes, legislação eleitoral, estratégia e campanha”, complementa. A programação está no Portal Linha Direta (www.pt-sp.org.br) e do MAV (www.mavptsp.org.br).

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