sábado, 20 de abril de 2013

Caso Barra Funda - Vídeo duvidoso: agentes do Metrô são suspensos

Para perito, imagens que mostram confusão entre seguranças e estudantes na Estação Barra Funda do Metrô, requerem melhor apuração. Sindicato da categoria quer recorrer judicialmente da decisão da empresa

*Por Márcia Dias

Quem não se lembra da confusão entre estudantes e três agentes de seguranças na Estação Barra Funda do Metrô, na zona oeste da capital no último dia 15 de março? O episódio completou um mês hoje (15/4), e resultou na suspensão temporária dos seguranças envolvidos, segundo as informações prestadas pelas assessorias de imprensa do Metrô e do Sindicato dos Metroviários de São Paulo. O tumulto ocorreu quando os guardas pediram a três estudantes que não fumassem nas dependências da estação, o que motivou o bate-boca entre os envolvidos. Populares filmaram o episódio, cujo vídeo teve ampla repercussão na internet. Os estudantes disseram que foram agredidos pelos seguranças.

Atendendo ao pedido da reportagem, o perito Ricardo Molina – que atuou em casos famosos como PC Farias e Eloá – analisou as imagens exibidas e observou que, por estarem editadas, não se pode comprovar de imediato que houve agressão, e por isso precisam ser melhor apuradas. Por sua vez, o sindicato descartou a denúncia de agressão, alegando que os agredidos fumavam maconha no local, e os guardas agiram em preservação da ordem pública. Procurado pela reportagem, o Metrô se limitou em informar que “o processo instaurado internamente para a apuração dos fatos ocorridos e os empregados envolvidos receberam sanções administrativas”.

“O sindicato entende que os agentes agiram em preservação da integridade pública, já que se constou que os estudantes teriam fumado maconha, e até queriam embarcar naquelas condições”, declarou a entidade, por meio de sua assessoria de imprensa.

O sindicato informou que entrou em contato com os agentes envolvidos, e se predispôs a recorrer judicialmente contra a suspensão que sofreram, já que eles possuem um prazo de cinco anos para ingressarem com ação trabalhista. “O sindicato também tentou dialogar com a empresa, mas não deu certo, já que ela não tem autocrítica para discernir os fatos”, comentou.

E na opinião do perito Ricardo Molina, as imagens da confusão na Barra Funda precisam ser analisadas com cuidado, já que demonstram indícios de que foram editadas, o que interfere na apuração do que realmente aconteceu na estação do Metrô.

“A princípio, houve cortes nas imagens, o que dificulta saber o que realmente aconteceu lá. Tudo indica que houve um rigor excessivo, mas isso vai depender de interpretação jurídica, e é preciso apurar o que causou isso. O que levou os seguranças a imobilizarem um dos estudantes? Se um deles tentou invadir o recinto, os seguranças não estavam errados. Aparece um segurança erguendo o cassetete. Por que ele fez isso?”, observou o perito que, a princípio, descartou a caracterização do crime de agressão no vídeo.

“Se houve agressão ou não, o que poderia comprovar é uma marca vermelha que apareceu no pescoço de um dos estudantes. E somente o exame de corpo de delito pode comprovar isso”, finalizou.

*Márcia Dias, jornalista freelancer e proprietária da JORNALISTA DE PLANTÃO (www.jornalistadeplantao.com.br). Ligue para (11) 99516-3909

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